domingo, 29 de abril de 2012

Por recorde, Robert Scheidt aposta no feeling contra tecnologia e fala em adeus no Rio-2016


http://espn.estadao.com.br

Sentado às margens da represa de Guarapiranga, Robert Scheidt é a imagem da concentração. Aos 39 anos, o velejador responde a todas as perguntas com calma e sem rodeios – como se a experiência e a habilidade para manejar os barcos das classes Laser e Star se estendessem às palavras.

Concentração, experiência e habilidade. Estas são três das chaves para que Scheidt deixe a Olimpíada de Londres, em agosto, com o status que nenhum brasileiro alcançou até hoje: o de tricampeão olímpico.

Dono de duas medalhas de ouro e uma de prata na classe Laser, o velejador mudou de barco e foi o segundo colocado na Star em 2008, ao lado de Bruno Prada. Para Londres, a expectativa é de brigar novamente pelo pódio, que seria o quinto na carreira. Mais um recorde, igualando o amigo e ídolo Torben Grael.

Mas os recordes, por si só, não seduzem Scheidt. A fama, também não. O que move o velejador é a busca pelos limites e, mais do que isso, o prazer de competir. Ou, como ele diz, a simples sensação de tocar o barco e sentir ele mais rápido.

Essa mistura entre prazer e feeling é uma das grandes motivações do bicampeão olímpico e será fundamental em Londres. Afinal, os ingleses Iain Percy e Andrew Simpson, atuais campeões olímpicos e maiores adversários de Scheidt e Prada, terão a seu favor mais do que o fato de competirem em casa: o barco britânico é dotado de recursos tecnológicos como um sistema revolucionário de telemetria - um computador que diz qual é o momento exato de fazer cada manobra.

Não bastasse esse desafio, os Jogos de Londres têm um significado ainda maior para Scheidt. Na Inglaterra, ele deve fazer sua última Olimpíada longe do Brasil. Ao ESPN.com.br, o velejador revelou que os Jogos do Rio, em 2016, devem ser os últimos de sua carreira nas classes olímpicas.

Por recorde, Scheidt aposta no feeling contra tecnologia e fala em adeus no Rio-2016
Por recorde, Scheidt aposta no feeling contra tecnologia e fala em adeus no Rio-2016
Crédito da imagem: Reuters
Leia na íntegra a entrevista com Robert Scheidt:

ESPN.com.br - Quatro olimpíadas, quatro medalhas, duas de ouro, Você chega a Londres podendo igualar o recorde de medalhas do Torben Grael, além de bater o número de medalhas de ouro. É algo em que você pensa no dia a dia?
Robert Scheidt - 
Se acontecer, ótimo. Para o Brasil, pra mim pessoalmente, para nossa dupla, ótimo. Mas não é uma coisa que eu gaste muito do meu tempo pensando, porque isso tira um pouco do foco. A gente tem de pensar no que vai fazer para ganhar; não no que vai acontecer se ganhar.

ESPN.com.br - A classe Star, pela qual você competiu em 2008 e competirá em Londres, é a mesma que consagrou o Torben. Ele te passa algum tipo de instrução ou serve de inspiração para o seu trabalho?
RS - Eu tive o privilégio de compartilhar com ele algumas olimpíadas – em 1996, 2000 e 2004. Depois disso migrei para a classe Star, ele fez a regata de volta ao mundo. Em 2008, ele não competiu e, nessa fase final para Londres, já estava desmotivado. Mas a gente se espelha muito na dupla deles, uma dupla que teve muito êxito em olimpíadas, no momento de maior pressão eles sempre conseguiram entregar um grande resultado. Uma das características principais da dupla Torben e Marcelo é que sempre estiveram muito tranquilos e em um astral muito positivo na época da olimpíada. Normalmente as duplas ficam sérias, excessivamente concentradas, mas eles conseguiam manter um clima leve. Isso é algo que a gente tenta levar para nossa campanha, é o maior exemplo que eu tiro do Torben: um grande competidor na água, mas com uma atitude tranquila, relaxada. Pra nós, é uma honra e uma responsabilidade estar na mesma classe deles.

ESPN.com.br - A classe Star ainda não está garantida nos Jogos do Rio, e você nunca escondeu a vontade de competir no Brasil. Com a Star fora, quais seriam as possibilidades? 
RS - Vamos esperar para ver se a Star realmente fica de fora, espero que não fique, porque seria um barco ideal para velejar no Rio, com vento fraco. Inclusive o Ben Ainsle [inglês que disputou com Scheidt na classe Laser em 1996 e 2000] já anunciou que, se o Star ficar, ele vem para o Star.Para a mídia seria excelente, pra mim também seria, eu adoraria velejar de novo contra ele. 

Mas tem algumas possibilidades: a volta ao Laser, por exemplo. Seria fácil? Não, porque eu já estou com uma idade mais avançada. Mas não acho impossível. Teria a classe Finn, que eu teria de ganhar um peso muito grande, por isso acho mais complicado, e tem a classe 49, que é uma classe em dupla.

Como eu disse, não adianta ficar especulando isso, me preocupando. A minha vontade é subir, melhorar até 2016. Acho que tenho lenha para queimar ainda, para então chegar em 2016 e encerrar minha carreira olímpica lá, porque aí já deu o que tinha que dar.

ESPN.com.br - Você está anunciando a despedida para 2016, então?
RS - Não posso dizer que desta água não beberei, mas eu não me vejo indo além disso. Acho que se eu chegar ao Rio com 43 ainda com chance de brigar por uma medalha, acho que legal, ótimo, mas seria o momento de passar o chapéu. Vou continuar velejando, que é o que gosto de fazer, mas não nas classes olímpicas. Há outras maneiras de velejar, também.

ESPN.com.br - E no dia seguinte à Olimpíada do Rio, em 2016, o que o Robert Scheidt vai fazer?
RS - Eu já faço palestras para a garotada, já doamos mais equipamento, tem algumas ações que eu faço. Mas é claro que eu quero devolver mais para um esporte que me deu tanto. No que puder contribuir, vou contribuir para os futuros talentos. Hoje, quando posso, ajudo a garotada do Laser, o pessoal me pergunta, pede conselhos.

Mas quero continuar velejando, não sei qual o barco. Eu tenho alguns convites pra velejar internacionalmente, em barcos de oceano, regata de volta ao mundo. Tive até convite no ano passado para a Americas Cup, acabei não entrando porque teria de escolhar entre a Olimpíada e a Americas Cup. Mas a vela tem um leque bem aberto, dá pra fazer muita coisa.

Bruno Prada e Robert Scheidt vão em busca do ouro em Londres
Bruno Prada e Robert Scheidt vão em busca do ouro em Londres
Crédito da imagem: Divulgação
ESPN.com.br - Falando na Olimpíada de Londres: a dupla inglesa tem uma tecnologia no barco deles que vocês não têm. O quanto isso pode pesar a favor deles?
RS - Eles têm esse equipamento, que chama PI-garda. É uma caixa-preta e você consegue, através de mensurações em tempo real, saber qual a melhor maneira de realizar uma manobra, e também pode testar velocidade do barco trocando regulagens. Com esse equipamento, o velejador não precisa mais fazer as coisas no feeling: ele te mostra se as mudanças estão fazendo o barco mais rápido ou não.

ESPN.com.br - E por que você e o Bruno não usarão esse equipamento?
RS - Para nós seria muito tarde começar usando isso em cima da Olimpíada. Não valeria a pena, porque você precisa ter um cara que transforme esses dados em uma coisa real. Não adianta a gente começar a trabalhar, ter um monte de dados e não conseguir transformar isso em uma coisa real que a gente possa utilizar. É uma coisa que, se trabalharmos três anos em cima, pode dar algum resultado. Eles já usam isso desde Atenas.

ESPN.com.br - Eles usarão o equipamento. E vocês,  vão com o velho e bom feeling?
RS - No fim das contas, nada supera a sensação de estar tocando seu barco e sentindo ele mais rápido ou não. Você está sentindo ele na mão. Ali, naquele momento, nenhum equipamento é melhor do que isso. Eu não vejo a gente hoje com uma deficiência muito grande com relação a isso.

ESPN.com.br - Existe, no mundo da vela, uma preocupação de que essa tecnologia ganhe espaço a ponto de tirar um pouco a importância do velejador, como aconteceu na Fórmula 1, por exemplo?
RS - Na Americas Cup a tecnologia já é pesadíssima. Agora as classes têm de se proteger quanto a isso com os equipamentos. Tem que colocar tolerâncias. O Star, por exemplo, é um barco com tolerâncias grandes e então cada barco tem uma característica diferente. O jeito é diminuir as tolerâncias para não ter tanto espaço para mexer. Se não, o custo estoura. As classes mais puras são as classes em que o material é fornecido – a laser, a prancha a vela – que você chega lá, recebe o material com o qual você vai competir e acabou. O cara de um país pobre vai competir de igual para igual com o americano e o inglês. 

ESPN.com.br - Por falar em inglês: qual é sua relação atual com o Ben Ainslie? [Inglês que causou polêmica ao "marcar" Scheidt em Sydney-2000]
RS - Ele me respeita e eu respeito ele. A gente se cumprimenta e troca uma ideia. Mas não somos grandes amigos, daqueles de jantar juntos. É uma relação de respeito. Não guardo mais rancor porque já passou tanto tempo, não vale a pena. Aprendi duramente com aquela situação e, se acontecesse mais tarde, eu não reagiria daquela maneira, teria muito mais experiência para lidar com aquilo. 

Se você for pensar bem, eu perdi pro velejador que está prestes a se tornar o melhor do mundo em todos os tempos, porque ele vai pro quarto ouro agora.

ESPN.com.br - Já está contando com o ouro para ele na classe Finn, então?
RS - Tranquilo. É a medalha de ouro mais garantida de todos os tempos. Vai ganhar sem a medal race.

ESPN.com.br - Mas você vai dar aquela ‘secada’ nele?
RS - Não tem nem como secar. Ele está tão acima dos outros. É um velejador melhor, tem o melhor equipamento, estará competindo em casa e tem o melhor time de técnicos em volta dele. Não vejo como ele consegue perder. A não ser que aconteça algo como quebra de mastro ou ele ficar doente. Num dia normal dele, ninguém ganha.

domingo, 22 de abril de 2012

Surfe quer aproveitar onda olímpica e entrar para o programa do Rio 2016


Cameron Spencer/Getty Images
Campanha da Confederação Brasileira quer esporte como exibição nos Jogos
André Avelar, do R7
Berço do esporte de praia no Brasil, a Cidade Maravilhosa quer aproveitar a onda olímpica e incluir o surfe no Rio 2016. Mas ainda alguns resquícios de preconceito e, principalmente, a dificuldade de produzir ondas em locais sem praia atravancam a entrada do esporte no programa dos Jogos Olímpicos.
Mas para convencer o Comitê Olímpico Internacional (COI), a Confederação Brasileira de Surfe (CBS) lançou o projeto “Rio 2016: Surf na Olimpíada”. Até mesmo um abaixo-assinado oficial foi criado na página Rio Surf 2016 para que as pessoas possam defender a modalidade na Olimpíada.
- O surfe está pronto para ser reconhecido e continuar encantando o mundo. A nossa ideia é fazer uma apresentação como a consolidação do Rio como um berço desse esporte. Seria uma verdadeira festa de praia. Somente um movimento mundial pode incluir o surfe na Olimpíada. Com vontade política, as coisas podem acontecer – disse Romeu Andreatta, diretor da CBS.
Uma das capitais mundiais do surfe, a Austrália também tentou, sem sucesso, incluir o esporte em seu programa. Sydney 2000 começou e no ano passado o assunto voltou a ganhar força. Para se tornar olímpico, um esporte precisa ser praticado em pelo menos 75 países e quatro continentes no caso dos homens e 40 países e três continentes para as mulheres.
Mas mais do que isso, mesmo se for enquadrado nesses critérios, isso não significa que o esporte já se tornará olímpico. O esporte também tem de apresentar alta competitividade e com fáceis locais de competição.  O surfe conta com 20 milhões de praticantes em mais de 100 países.
- O surfe tem esse desafio que não apresentou nada em ondas artificiais. Fica seletivo em um país sem costa. A gente não consegue produzir onda artificialmente… Ainda! Não conseguimos para 2020, mas nós vamos voltar a reivindicar – disse Andreatta.  Baku (Azerbaijão), Doha (Catar), Istambul (Turquia), Madri (Espanha) e Tóquio (Japão) disputam a candidatura para os Jogos Olímpicos de 2020. 
Política antidoping
Com campeonatos organizados e cada vez mais dinheiro envolvido, a Associação dos Surfistas Profissionais (ASP) adotou a política antidoping, cumprindo as regras da Agência Mundial Antidoping (Wada). Apesar dos atletas de hoje serem saudáveis, a contracultura ainda é motivo de preconceito.
Na ocasião, Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial, criticou a medida e chegou a dizer que o surfe não se tratava de um esporte de alto rendimento e o doping não ajudaria em nada. O surfe sempre caminhou na linha entre esporte e estilo de vida selvagem.
A Rede Record mostrará a Olimpíada de Londres 2012 com exclusividade na TV aberta brasileira, e também pela internet, por meio do R7. A Record detém ainda os direitos de transmissão dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 e da Olimpíada do Rio de Janeiro 2016.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Jogos Olímpicos: troca de experiências entre Londres e Rio


Rio - O bicampeão olímpico e presidente do Comitê Organizador dos Jogos de Londres, Sebastian Coe, esteve ontem no Rio para conhecer instalações esportivas e trocar experiências com organizadores brasileiros da Olimpíada de 2016. Coe acompanhou o treinamento de atletas e satisfez a curiosidade de conhecer um projeto social em favela carioca.

“Fiquei encantado com a Rocinha. Ela é o melhor exemplo de regeneração do Rio e mostra como o esporte ajuda e dá coragem aos jovens”, entusiasmou-se Coe ao conhecer o Complexo Esportivo da Rocinha, inaugurado há dois anos e que já conta com mais de três mil alunos. Com o presidente do Comitê Olímpico Rio 2016, Carlos Arthur Nuzman, Coe esteve no Centro Aquático Maria Lenk, na Barra. Coe encontrou-se com a velocista Rosângela Santos, o atleta de salto ornamental César Castro, e a judoca Rafaela Silva.

A quatro meses das Olimpíadas, membros do Comitê Brasileiro estão na Inglaterra para acompanhar os preparativos. Para Nuzman, o convívio é imprescindível para o sucesso do evento: “Aprendemos com os erros e acertos de Londres”.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Rio 2016 é exemplo para Brasil da Copa 2014


Marco Damiani _247 – Nesta semana especialmente agitada quanto aos preparativos do Brasil para a Copa de 2014 e do Rio para as Olimpíadas de 2016, ganharam máxima nitidez as diferenças de relacionamento entre as autoridades nacionais e os chefes dos organismos esportivos que detém o controle sobre os dois eventos esportivos. Tudo vai mal entre o Brasil e a Fifa. Nunca foi tão forte como agora o amor entre o Rio e o Comitê Olímpico Internacional.
Como a intenção, nas duas situações, é se trabalhar em parceria, pelo benefício dos megaeventos em jogo, vale dizer que o Brasil tem, neste momento, muito mais a aprender com o que está sendo feito no Rio, do que o Rio receber lições do Brasil.
Para receber durante três dias, entre a terça 6 e a quinta 8, uma delegação de alto nível do COI, a administração da cidade se preparou para todos os momentos da agenda. Entre a aterrissagem e a decolagem da delegação no Rio, liderada pela marroquina Nawal El Moutawakel, presidente da comissão de coordenação do COI para os Jogos de 2016, realizou-se uma reunião de trabalho com a revisão do já foi feito e o que vem pela frente, o Parque dos Atletas foi entregue à população – num adiantamento de sete meses em relação ao prazo prometido --, deu-se a escolha da empresa que construirá o campo de golfe dos Jogos e, ainda, lançaram-se as bases do Porto Olímpico – obra que, como mostram os projetos, transformará radicalmente, para melhor, a zona portuária da cidade. Nenhum minuto foi perdido, nenhuma rusga entre os dois lados, anfitriões e visitantes, aconteceu. Ao contrário. O que se pode perceber é que, como dizem na praia, pintou um clima de encantamento.
“Recebi um presente maravilhoso no Dia Internacional das Mulheres”, fez questão de registrar, num largo sorriso, a chefona do COI, pronta para se tornar mais uma admiradora do Rio. Ela se referia não apenas ao vistoso buquê de rosas vermelhas entregue pelo prefeito Eduardo Paes, mas, igualmente, ao fato de ter verificado pessoalmente o adiantamento das obras no Parque dos Atletas, presenciado a definição da empresa americana Hanse Golf Course Design como responsável pela construção do campo de golfe e participado do lançamento do projeto Porto Olímpico. “Tenho certeza de que haverá um forte impacto, não só na Zona Portuária, mas em toda a região do Rio”, disse Nawal.
Enquanto isso, no plano nacional...
Satisfeito com os preparativos do Brasil para a Copa de 2014 é tudo o que o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, não está. A partir da Inglaterra, durante reunião anual do International Board, na sexta 2, ele disparou as frases que arrastariam a seu pior momento o relacionamento desde sempre conturbado entre o Brasil e a entidade que detém os direitos sobre a Copa. “Não entendo por que as coisas não estão avançando. Os estádios não estão mais no prazo, e por que muitas coisas estão atrasadas? A preocupação é que nada é feito ou preparado para receber muita gente. Lamento dizer que as coisas não estão funcionando no Brasil", discursou ele. Neste contexto, dirigindo-se a delegados brasileiros presentes, soltou a frase lapidar: "Vocês precisam se pressionar, levar um chute no traseiro e fazer a Copa do Mundo."
O ministro do Esporte, Aldo Rabelo, rebateu na mesma hora, e em melhor tom. Anunciou o veto a Valcke como interlocutor com o Brasil daquele momento em diante, e esperou as reações do adversário. Os pedidos de desculpas vieram durante a semana, com o próprio presidente da Fifa, Joseph Blatter, articulando uma visita pessoal ao Brasil para fazer o mea culpa em nome do chefiado Valcke. Na quinta 8, finalmente, enquanto, no Rio, Nawal recebia rosas de Paes, Aldo divulgava a carta de duas linhas que enviara a Valcke, secamente aceitando suas desculpas. Nada mais dispare.
Os paradoxos exibidos nos últimos dias confirmaram a certeza de que o relacionamento entre o Brasil e a Fifa é tenso, áspero e desencontrado, enquanto ficou claro a olho nu, no tocante ao diálogo entre o Rio e o COI, que a fluidez nos entendimentos é real, dinâmica e produtiva. Se as autoridades encarregadas de tocar os negócios da Copa de 2014 começarem a observar sem ciúmes o que se está fazendo no Rio pelas Olímpiadas de 2016, certamente a organização do Mundial sairá ganhando.
Abaixo, notícia da Agência Estado sobre o encerramento da visita da delegação do COI ao Rio:
AE - A prefeitura do Rio de Janeiro assinou nesta quinta-feira um termo de compromisso para a construção de dois mil apartamentos que vão receber as vilas de árbitros e mídia não credenciada durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016. Os imóveis serão os primeiros a ser erguidos na “nova” Zona Portuária - agora chamada de “Porto Maravilha” -, área degradada do Centro do Rio que está sendo revitalizada, a exemplo de Stratford, em Londres, onde foi construído o Parque Olímpico dos Jogos deste ano.
“Sob o ponto de vista do interesse da cidade, este é o momento mais importante da Olimpíada”, disse o prefeito Eduardo Paes. “Quando ganhamos a candidatura para sediar os Jogos, tenho certeza de que não foi porque o estádio de natação era mais bonito que o de Chicago ou Madrid”, afirmou. “O que sensibilizou a todos do Comitê Olímpico Internacional (COI), foram as transformações que aconteceriam na cidade”.
O termo de compromisso foi firmado com a Caixa Econômica Federal que detém todos os Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPAC) do Porto Maravilha e o consórcio de empresas Solace, que vai construir os apartamentos. Após 2016, as unidades (distribuídas em 16 prédios, em terreno ao lado da rodoviária do Rio de Janeiro) vão ser vendidas prioritariamente a servidores municipais, por meio de financiamento da prefeitura.
O acordo também prevê a construção de dois hotéis, cada um com 500 quartos, e um centro de convenções. O consórcio pode construir outras unidades residenciais, mas só tem direito a comercializá-las depois que todas as duas mil iniciais forem vendidas. “Se estamos fazendo uma transformação no Rio, é esta”, disse Eduardo Paes.
Antes de viajar para Brasília, onde foi recebida pela presidente Dilma Rousseff, a presidente da comissão de coordenação do COI para os Jogos de 2016, a marroquina Nawal El Moutawakel, afirmou ter recebido um “presente maravilhoso no dia internacional das mulheres”. “Tenho certeza de que haverá um forte impacto, não só na Zona Portuária, mas em toda a região do Rio”, disse.
"Em 24 horas, presenciei dois eventos históricos", afirmou. Na última quarta, a presidente participou do anúncio da empresa vencedora do concurso para construção do campo de golfe para 2016. O esporte voltará aos Jogos após 112 anos.
Terminou nesta quinta a visita de representantes do COI ao Rio de Janeiro para acompanhar o andamento das obras. “Tenho dito que o Rio será a cidade de maior transformação da história dos Jogos Olímpicos, de todos os tempos”, disse o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman.

Fonte: Brasil 247

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Rio-2016 pretende arrecadar R$ 1 bilhão com licenciamento


Comitê Organizador espera lucrar com venda de produtos relacionados à Olimpíada



O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio-2016 apresentou nesta terça-feira o seu programa de licenciamento de produtos relacionados à Olimpíada carioca. O evento no Museu de Arte Moderna (MAM), no Rio de Janeiro, teve a presença de 150 empresas interessadas em se tornar licenciadas. A estimativa do Comitê é que a venda de produtos movimente R$ 1 bilhão de reais até 2016.

A ideia do Comitê é ter 60 empresas licenciadas, 12.000 produtos e 6.000 pontos de venda. O planejamento inclui também 150 lojas oficiais, que serão abertas entre 2014 e 2016. O Rio-2016 trabalha com o plano de instalar 80% destas lojas no Rio e as demais em grandes cidades do país. Uma megaloja deve ser erguida nas areias da Praia de Copacabana.

“Os Jogos Olímpicos têm as marcas mais reconhecidas do mundo. Estamos oferecendo a empresas uma oportunidade única de se associar a essas marcas. Os produtos licenciados também são mais um canal para permitir a participação de todos os brasileiros no evento”, disse o presidente do Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman.

Os primeiros produtos oficiais estarão à venda em uma loja que será montada na Casa Brasil, a sede do Brasil em Londres, durante os Jogos Olímpicos deste ano. A primeira categoria de produtos a ser licenciada será a de colecionáveis (moedas, selos e pins). A próxima etapa é relativa aos produtos de confecção, que representam metade do faturamento com licenciamento.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Atletas de modalidades sem tradição no país visam as Olimpíadas do Rio 2016

Renzo Agresta é um dos esgrimistas brasileiros com maior chance de conseguir vaga nas Olimpíadas deste ano: mesmo que a classificação se confirme, não há expectativa de medalha


Ana Cláudia Felizola - Correio Braziliense

Conscientes das chances escassas de medalhas este ano, em Londres, dirigentes tentam preparar seus atletas para as Olimpíadas 2016. Na mira pelo pódio inédito, eles buscam até ajuda estrangeira




O Brasil pode não figurar entre os primeiros colocados no quadro geral de medalhas em Olimpíadas, mas a torcida já está habituada a ver a bandeira nacional ser estendida durante os Jogos, graças a algumas modalidades fortes no nosso país. Vôlei, judô, vela e natação, por exemplo, são esportes em que o potencial brasileiro se manifesta com mais frequência. No entanto, em outros, jamais conseguimos um lugar no pódio do maior evento esportivo do mundo. Ao que tudo indica — e até as próprias confederações assumem —, uma conquista inédita nesses casos também não deve ocorrer este ano, em Londres.

A delegação verde e amarela jamais conquistou medalhas olímpicas com canoagem, esgrima, tiro com arco, triatlo e ciclismo. As razões alegadas para isso vão desde o fato de essas modalidades não serem tão tradicionais por aqui até a discussão pela falta de recursos para um treinamento adequado. “A missão do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) é dar suporte para que todos os esportes tenham condições de se desenvolver e alcançar bons resultados”, pondera o superintendente executivo de esportes da entidade, Marcus Vinicius Freire. “Já há um crescimento em diversas modalidades que anteriormente não alcançavam destaque internacional.”

Em entrevista ao Correio por e-mail, Freire comentou sobre a expectativa do COB para os Jogos deste ano. “Esperamos que a delegação brasileira tenha um desempenho semelhante ao apresentado em Pequim, em 2008, quando manteve a evolução qualitativa alcançada nos anos anteriores e conquistou três inéditas medalhas de ouro, quatro de prata e oito de bronze”, afirmou. “Com a realização dos Jogos Olímpicos no Rio, em 2016, temos a possibilidade de ampliar esse salto de qualidade”, emendou ele, destacando que a entidade mantém projetos nas confederações e no Ministério do Esporte com esse intuito.

Para alguns esportes, então, os atuais resultados levam a crer que o jeito será adiar o sonho de medalha pelo menos até 2016. Ao menos os investimentos para que isso aconteça no Rio deverão ser maiores. “Além do apoio a diversas ações por meio dos recursos da Lei Agnelo/Piva, estabelecemos um plano de desenvolvimento para modalidades que identificamos ter potencial de crescimento, como o badminton e o tiro com arco”, explicou o superintendente.

O objetivo do COB, de acordo com Freire, é que o Brasil encerre sua participação no evento carioca no Top 10 do quadro geral de medalhas — tarefa complicada quando se considera que em Pequim-2008, por exemplo, o país terminou em 23º, e, em Londres, a delegação nacional deverá ser menor do que a de quatro anos atrás. “Para chegarmos a essa colocação, não podemos depender apenas dos esportes em que temos história. Será preciso ganhar medalhas em 15 modalidades. Estamos trabalhando focados em cerca de 13 novas”, comentou.

Para que os resultados realmente apareçam em quatro anos, uma medida que tem sido adotada pelas confederações é buscar ajuda de fora, seja com técnicos estrangeiros ou mandando seus atletas para treinarem e até morarem em outros países. Marcus Vinicius Freire disse que o COB não é contrário às iniciativas, mas fez ressalvas. “O intercâmbio com os melhores torna-se essencial para o desenvolvimento dos atletas. Porém, temos exemplos de competidores de ponta que estão optando por ficar mais tempo no Brasil, graças aos novos investimentos em centros de treinamento, tecnologia e ciências do esporte”, observou. “Apoiamos ainda a presença de treinadores estrangeiros em nosso país para ajudar a desenvolver modalidades que têm essa necessidade.”

Rodrigo Arangua/AFP
Renzo Agresta é um dos esgrimistas brasileiros com maior chance de conseguir vaga nas Olimpíadas deste ano: mesmo que a classificação se confirme, não há expectativa de medalha

Esgrima
Vice-presidente da Confederação Brasileira de Esgrima, Ricardo Machado avisa: “Falarmos em medalha agora é precoce, está fora da nossa realidade. Temos que lutar para classificar o maior número de atletas possível. A classificação para nós já será uma medalha”. Na opinião do dirigente, a dificuldade em subir ao pódio não é apenas uma questão de pouca tradição do país no esporte, mas também o fato de a obtenção de patrocínios ser recente. “Agora que começamos a ter um investimento maior, e medalha olímpica não se constrói de uma hora para a outra”, argumentou.

Mesmo para 2016, Machado prefere não falar em pódio, apesar de acreditar que o cenário até lá será melhor. “Com investimento maior, poderemos dar mais qualidade às nossas equipes, como fazer com que treinem mais no exterior. Atualmente, todos os atletas que treinam para se classificar às Olimpíadas estão na Europa”, opinou. “Precisamos que isso ocorra muitas vezes, que estejamos do lado dos melhores do mundo.”

Machado fala até em mandar esgrimistas para residirem no exterior. “Temos atletas treinando na França, Itália, Ucrânia e Rússia. Eles ficam espalhados, num regime de concentração violento e de alto rendimento, para que troquem experiência e participem de competições”, explicou. Em relação a 2016, o objetivo é classificar um número grande de atletas. Já para Londres, o ranking mundial vai até março e a última chance de carimbar a vaga será o Pré-Olímpico de abril. Por enquanto, os brasileiros com maior probabilidade de conseguir um lugar em Londres são Renzo Agresta, Athos Schwantes e Karina Lakerbai.

Ciclismo
O ciclismo é outro esporte distante de medalha em Londres. De acordo com a assessoria de imprensa da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), há projetos visando um desempenho melhor em 2016, por meio de planejamentos específicos para cada disciplina — pista, estrada, mountain bike e bicicross —, o que não ocorria antes. Atualmente, a entidade tem seleções permanentes definidas para cada uma. Assim, os atletas podem participar de treinamentos concentrados e atuar em campeonatos do calendário internacional.

Por hora, isso já é considerado uma conquista para a modalidade, aliada ao fato de que o ciclismo contará este ano com três atletas nas Olimpíadas — nas edições anteriores, o país foi representado por um ou dois. O ranking continua em andamento até maio. No entanto, a expectativa mesmo é a de ver se os projetos desenvolvidos surtirão efeito em 2016, com a chegada da primeira medalha brasileira no esporte.

Número maior
O ciclismo brasileiro conquistou quatro vagas para Londres-2012, que ficarão com três atletas. Eles competirão na categoria estrada, no masculino. Os nomes serão definidos pela confederação. Um dos participantes poderá também atuar na prova de contrarrelógio, em que a competição ocorre individualmente e não com um pelotão.

Triatlo
O triatlo é outra modalidade em que o Brasil continua sem medalhas olímpicas. E a mudança nesse cenário não deve ocorrer em Londres. A Confederação Brasileira de Triathlon (CBTri) acredita que Reinaldo Colucci, apontado como a maior esperança nacional, chegue este ano entre os 10 primeiros. “Nossa melhor colocação foi o 11º lugar de Sandra Soldan em Sydney-2000. A expectativa agora é conseguir fazer pelo menos um Top 10, mais possivelmente com o Reinaldo (Colucci)”, apontou o diretor técnico da CBTri, Marco Antônio La Porta. “O foco de buscar medalha mesmo fica para 2016.”

Na edição carioca dos Jogos, a entidade aposta que terá uma equipe renovada representando os donos da casa. E, mais uma vez, a ajuda vem de fora. Atualmente, há seis atletas morando e treinando em Portugal, já pensando em 2016. Ainda assim, Colucci, hoje com 26 anos — e classificado para Londres após o ouro no Pan de Guadalajara —, deverá ser ainda o maior nome do triatlo brasileiro daqui a quatro anos. “Ele é novo, o auge dele vai ser em 2016. No triatlo, os campeões olímpicos costumam ter 29 ou 30 anos em média”, projetou La Porta.


Tiro com arco
Para buscar a primeira medalha olímpica, em 2016, a Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTarco) conta com a experiência do técnico sul-coreano Lim Hee Seek, comandante das seleções da Coreia do Sul e do Japão entre 2007 e 2009. Em entrevistas, o morador de Maricá (RJ) desde 2010 afirmou acreditar que o Brasil tem chance de subir ao pódio na edição carioca dos Jogos, mas considerou bem difícil isso ocorrer logo este ano, em Londres.

De fato, o país está longe das boas colocações em eventos internacionais. No Campeonato Mundial de 2011, em Torino (Itália), por exemplo, a melhor posição brasileira foi a de Daniel Xavier, 45º lugar na fase classificatória. Por equipes, acompanhado por Eduardo Balthazar e Fabio Emilio, o atirador ficou em 36º. Já no feminino, a representante Michelle Acquesta terminou com a 116ª colocação. Para se classificar aos Jogos de Londres, o Brasil terá pela frente o Pan-Americano de Medellín, de 20 a 25 de abril, que oferece três vagas no masculino e três no feminino, mas obedecendo ao limite de um atleta por país.

Mariana Bazo/Reuters
Erlon Souza e Ronilson Oliveira comemoram a prata na canoagem no Pan de Guadalajara, mas pódio olímpico é sonho distante

Canoagem
Após garantir presença nos Jogos Olímpicos de Londres-2012 com Erlon Souza e Ronilson Oliveira, na canoagem de velocidade — a dupla faturou a vaga depois de ficar com a prata na categoria C2 1000m masculina nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, em 2011 —, o maior objetivo da Confederação Brasileira de Canoagem (CBCa) agora é tentar colocar o nome de alguém da modalidade slalom entre os representantes nacionais em Londres.

A meta pode ser cumprida durante uma disputa pan-americana, em março, que servirá como seletiva olímpica. “Mas a expectativa de medalhas é só para 2016”, reconheceu o gerente do departamento técnico da CBCa, Carlos Henrique Pedrosa. O Brasil ainda não subiu ao pódio com a canoagem em nenhuma edição olímpica. Para que isso mude no Rio de Janeiro daqui a quatro anos, a alternativa atual é buscar ajuda estrangeira. “Trouxemos um técnico da Hungria, o Zoltan Bakó, que vai renovar a equipe permanente e preparar atletas para as Olimpíadas de 2016”, contou. Além disso, há 16 atletas, de 12 a 23 anos, treinando no Canal Itaipu, em Foz do Iguaçu (Paraná), com foco no evento carioca.

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